Não sei ser indiferente a manifestações de carinho em público. Então entre pai e filho, deixa-me completamente enternecida. Felizmente o meu avô teve alta do hospital, depois de ter entrado ontem, mas durante o tempo de espera, na entrada das urgências, muitas pessoas entraram e saíram. Crianças ou idosos e as doenças não escolhem idade nem dia. Uma única companhia apenas acompanha o doente e quem espera fora de portas, desespera por uma noticia do familiar ou amigo. Quando lá cheguei já um pai e um filho esperavam por alguém. Presumo que fosse a mãe e quando me vim embora, eles ainda lá ficaram.
Um menino com cerca de 11 anos, louro e franzino. O pai, pouco mais alto, magro, bigode avantajado, novo. Apreensivos, cansados, nunca se largaram e olhavam-se nos olhos com aquele olhar que ama, de forma incondicional. Abraçaram-se várias vezes. O menino tomava a iniciativa e o pai de braços abertos protegia sempre aquele filho. Não sei do que falavam, não sei ao certo se seriam pai e filho, mas o amor que os unia era maior que qualquer medo.