Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

Carta de uma mãe

Filho,

Escrevo-te hoje, porque do fundo do coração desejo que estas palavras te acompanhem, como algo pertencente ao passado, mas de uma importância tão grande, que nos fizeram crescer aos dois.

Havemos de guardar estas palavras como quem guarda a chave de um cofre, que em conjunto havemos de abrir, para nos libertarmos. Não mais havemos de ficar agarrados a esta palavra que se intitula de tua amiga e se tem colado a ti nos últimos tempos.

Se ela insiste em ficar, nós seremos mais fortes e havemos de escorraça-la daqui, de dentro de nós. De dentro de ti.

E é por isso que é possível, porque só depende mesmo de ti, não depende dos professores, dos outros amigos, do pai, de mim, não depende da terra, da vida, do sol, depende de ti.

Não vai ser fácil, digo eu que sou adulta. Acho que até vai ser bem difícil, mas para que serve um pai e uma mãe, se não para ajudar nos momentos difíceis? Não é?

As dificuldades ultrapassadas fazem-nos crescer e mesmo que não entendas hoje estas palavras, vais entende- las um dia, quando voltares a ler este papel antigo, guardado há muito, no baú das coisas memoráveis que fizemos juntos um dia.

Sabes filho, a mentira destrói, a mentira que oferecemos a alguém, volta-se sempre para nós. É o efeito maldoso que esse ato tem e por certo a mentira causará mais danos em quem a alimenta, mesmo que isso não te pareça possível.

Quando mentimos aos outros, estamos a mentir a nós próprios. Refugiamo-nos numa casa que não é a nossa, sem alicerces. Lembrei-me da casa dos porquinhos preguiçosos que não se preocuparam em construir uma casa resistente. Lembras-te da história, não lembras? Lembras-te do que lhes aconteceu? Assim é a mentira, uma casa descompensada, sem conforto, sombria, capaz de roubar o melhor de nós, a nossa verdadeira essência, que é como quem diz, a nossa alegria, as nossas raízes.

Sabes que eu também já menti? Já o fiz, porque também me pareceu ser o caminho mais curto, para chegar a um qualquer lado onde achei que queria estar. Já menti, só porque me pareceu mais fácil fugir das responsabilidades que tenho, a cada dia que cresço. É que as responsabilidades crescem connosco e depois a vida cobra-nos tanto, não é?

Não é fácil. Também pensas como eu, não é? E achas difícil e dizes que não consegues, que é mais forte do que tu. Ainda ontem disseste isso! Mas a força vem de dentro e tu és tão forte! Já te disse, muitas vezes, lembras-te? E vou continuar a dize-lo! Tu és um menino tão forte! O meu menino dos olhos verdes! E é disso que não te podes esquecer, porque a força vem de dentro.

A força para sermos o que quisermos, nasce com a nossa vontade, cresce com os nossos atos, os atos bons, e se quisermos, acompanha-nos sempre.

Amigos, sem o serem verdadeiramente, existirão sempre na nossa vida. Aqueles que nos parecem companheiros de todos os momentos, compinchas de todas as horas. E devemos saber que nem todos nos querem bem, que afinal nem se importam com as nossas tristezas, com as nossas arrelias e as nossas conquistas ainda os aborrecem mais.

A mentira é assim, uma amiga que não se quer, uma amiga que nunca o foi e só nos pisa.

E nunca é tarde, sabes? Como é que pode ser tarde para o que quer que seja, se tu és ainda uma criança? Tens a vida pela frente. E os teus amigos escolhes tu.

A chave do baú das lembranças é tua e lá guardas só o que queres. O que não presta, joga fora e muita coisa vais deixar apodrecer no lixo, porque não presta. A mentira será com certeza uma delas. A mentira foi com certeza uma delas, dirás tu, quando voltares a ler estas palavras, um dia, daqui a muitos anos.

A mãe adora-te! Não, a mãe ama-te! Haverá outra palavra que descreva o que sinto? Acho que há coisas tão fortes que sentimos dentro de nós, que nem se conseguem descrever e o amor que uma mãe sente pelo seu filho é assim, indescritível. Haverão outras palavras assim, que nos parecem tão pequeninas, face ao que sentimos, que na realidade é tão forte!

Se o meu coração falasse dizia-te o que sente, por isso, tantas vezes, pede ajuda ao abraço, ao sorriso, a uma lágrima, ao colo.

E é a nossa atitude que nos distingue, que nos carateriza. E são os nossos amigos, os verdadeiros, que importam. Esses devemos guarda-los a sete chaves. No baú das boas lembranças. Lembras-te?

A mãe
publicado por susana às 18:27
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013

Projecto de vida

O projecto deles nasceu há cerca de dois anos. Cresceu muito devagar, só agora começava a dar frutos, lentamente. Aos olhos dos outros, aos nossos olhos tudo parecia bem.
Com certeza foi devidamente planeado, nascido de um ato de amor, planeado, pensado, idealizado com força e determinação. A dois.
Um projecto em conjunto, como uma relação, como um amor que se vive e alimenta todos os dias. Mas nem sempre os projectos dão certo, nem sempre o rumo é o desejado.
Conseguir erguer a cabeça e continuar em frente não depende do sucesso desse projecto, mas sim da teia que o contorna. Se um ficar para traz ou se for dado um passo sem que o outro o acompanhe, acredito que o projecto se inviabilize. A confiança sai abalada, alguém sai desencorajado.
Assim valerá a pena parar, apenas parar. Ou mudar de rumo. Recomeçar. Um novo tempo há-de trazer a bonança. O marasmo não cabe em corações destemidos.
publicado por susana às 23:12
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Quando as palavras não chegam

Se chorar, em vez de te confortar com uma palavra que seja, não é porque não tenha nada para te dizer. As palavras são efémeras e o meu coração acredita que aquela estrela vela por ti. E tudo vai correr bem, queremos todos acreditar que sim. Mas se isso não acontecer estamos aqui, como temos estado sempre, uns para os outros. Nos bons e nos momentos menos bons. Chorar não é mau, deixarmos transparecer a nossa preocupação e a tristeza é normal. Mas o sorriso que não se apague com a dor. Que o medo não abafe os teus dias e te impeça de ser feliz. Ás vezes já o somos, sem compreender a verdadeira força e significado desta palavra. O meu pensamento está contigo e tu sabes que hoje estas palavras são para ti!

publicado por susana às 08:49
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Amigos para sempre

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As desculpas e a falta de tempo levam vantagem quando se trata de rever os amigos. E digo rever, que com um pouco de sorte, é o que resta de encontros que foram felizes no passado. O tempo ou a falta dele tem sempre desculpa e nunca é contrariado e entretanto o tempo passa, a vida caminha a passos largos sabe-se lá para onde e os amigos distanciam-se cada vez mais. Hoje padeço deste mal, reconheço. Que sou a primeira a apontar o dedo à falta de tempo e as desculpas desdobram-se em pedaços soltos de lembranças do passado. E os amigos acabam por fazer parte dele, desse tempo que nos deu tantas alegrias e gargalhadas rasgadas e parece que nos esquecemos depressa desses momentos. E lamentar não chega.

publicado por susana às 21:39
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Da perplexidade dos actos

Sei o que é um murro no estômago. Já o senti várias vezes e dói ainda mais quando nos apanha desprevenida. E dói, mesmo que não tenhamos sido nós a sofrer esse golpe. O infortúnio bate mesmo ao nosso lado e o coração fica apertado, pequenino, o dos outros e o nosso. Mal dá para respirar e tudo se questiona e a pergunta de sempre impera! Vale a pena? Mas afinal o que é que vale a pena? E é impossível ficar indiferente a tanta desilusão que passeia à nossa volta. E o ar que se respira fede e transborda de hipocrisia. Um murro no estômago dói. Mesmo que a dor tenha uma intensidade ou significado diferente, dói! Mesmo que o murro no estômago não tenha sido para nós, é impossível ficar indiferente ao sucedido. Dói!

publicado por susana às 01:36
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

A partida dói

As despedidas marcaram-me sobremaneira. Detesto-as e ao longo da minha infância foram uma constante. As partidas do meu pai para longe. Marcaram-me para sempre. Detesto as despedidas e ainda hoje num aeroporto choro, quando vejo alguém que parte com o coração destroçado. Não sou capaz de ficar indiferente. E desvio o olhar e repito em silencio a mesma oração de sempre, também pelo outros, os que partem e deixam para trás a família. Dos reencontros há grandes e boas lembranças mas a despedida entranhou-se de tal forma, que ainda hoje dói.

publicado por susana às 03:52
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Mulheres

As mulheres juntas não são boa peça e vai-se mais longe, quando se diz que juntas, são umas calhandreiras, umas mal dizentes, invejosas e coisas que tal!

As rainhas das intrigas e das piolhices.

Se calhar é assim na maior parte das vezes, mas a verdade é que podem existir muitos momentos de partilha e experiencias de vida, entre mulheres! E pode sempre haver um caso de excepção à regra.

publicado por susana às 22:08
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Um almoço diferente

Foi óptimo ter surgido este convite. Ainda bem que a Mada tomou a iniciativa. Praticamente todas puderam estar presentes e esta foi a possibilidade que tive de rever amigas que já não via há alguns meses.

Muita conversa, que não se consegue colocar toda em dia, num curto espaço de tempo. Afinal quem trabalha, assim como nós, tem horinhas para cumprir e esticar a corda não dá muito jeito.

Eu adorei o almoço, até porque momentos destes não têm abundado por estas bandas e reencontrar pessoas que de alguma forma fizeram parte da nossa vida e nos fazem sentir bem, é sempre muito bom. E prometemos que havíamos de repetir.

Um abraço, meninas!

publicado por susana às 19:44
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

O moinho - Amigos de Peniche

O fim de semana começou bem cedo. Quando viajamos gostamos de aproveitar ao máximo.

O dia de sábado acordou envergonhado mas acabou por nos presentear com muito calor.

Visitámos o Cabo Carvoeiro, que adorei confesso, porque não me recordo sequer da última vez que lá estive, decerto há muitos, muitos anos atrás.

Um cheiro forte a maresia, uma brisa quente e uma vontade de não sair dali, para poder contemplar o mar e as rochas.

Os barcos passavam, repletos de turistas a caminho das Berlengas e aos poucos, o mar ia-se enchendo de pontos brancos sempre que as embarcações se iam afastando.

Fomos os primeiros a chegar ao moinho e fomos muito bem recebidos.

Há muito que a D. Odete e o Sr. Luís tinham iniciado os preparativos.

Já a massa levedava na cozinha enquanto o forno se preparava para receber o pão.

A caldeirada estava pronta para ir ao lume e os tachos, bem recheados de tanto peixe fresquinho.

O moinho é um local de convívio e é ali que a família e os amigos se encontram para grandes patuscadas e momentos de lazer.

Foi ali no moinho que o Sr. Luis cresceu e viveu durante muitos anos. Conhece aquele sítio como ninguém e diz que é um privilégio, receber os amigos do filho naquele espaço.

A ver pelo resultado, este foi mesmo o primeiro de grandes convívios que prometem repetição.

Uma mesa cheia de gente bem disposta, com muita comida e boa pinga.

As crianças divertiram-se imenso. Brincaram na horta que a D. Odete cuida com tanto carinho, passearam ao pé do galinheiro, dançaram, jogaram ás escondidinhas e com as mãos na terra criaram lugares distantes dos nossos.

Depois de um almoço prolongado e de termos estado com o rabo alapado por largas horas à mesa, fizemo-nos ao caminho e passeamos a pé, sempre com o mar do nosso lado.

Ainda tivemos a oportunidade de ver a nossa selecção ganhar.

Obrigada pela simpatia, que foram uns excelentes anfitriões e nós prometemos voltar.

Que rica caldeirada!

 

   

publicado por susana às 21:46
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Terça-feira, 15 de Março de 2011

Do que sinto por ti

As pessoas não se precisam, elas se completam...

não por serem metades, mas por serem inteiras,

dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

 

Mário Quintana

publicado por susana às 21:57
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