Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Mais uma consulta

Os últimos exames, as análises, as longas horas de espera, o desespero e a ansiedade.

De uma forma ou de outra, todos os que ali estavam padeciam ou já padeceram da mesma doença e a partilha de experiencias foi uma constante, mas nem sempre abonatória, principalmente, para quem ainda não passou pela experiencia da operação, sabendo que esse será o próximo passo.

Muito raramente encontramos um doente sozinho, isso aconteceu na ultima consulta e hoje voltou a acontecer, mas parece-me ser uma excepção á regra, que praticamente todos os doentes, se fazem acompanhar por um familiar e curiosamente, não são maridos nem esposas, são filhos.

Esta constatação felizmente contrasta com muitas das notícias, que nos entram pela casa a dentro através da televisão, relativamente à ausência de cuidados básicos e negligencia para com os mais velhos e idosos.

Hoje conhecemos o anestesista, um médico bastante novo de uma simplicidade e educação impar, muito humano e de uma delicadeza tamanha, que a minha mãe não conseguiu sequer conter as lágrimas e chorou imenso, enquanto mantiveram um contacto ocular permanente.

Não houve desvios de atenção, de olhares, num mundo à parte, num pequeno consultório, só ela ali importava, mais nenhum doente e nada o demoveu apesar das constantes interrupções.

Enquanto a fixava, sorria e nunca a interrompeu.

Quando chegou a sua vez, falou de forma pausada e respondeu a todas as dívidas e falou-lhe ao coração.

Disse-lhe que ela também fazia parte da equipa e como eles, médicos, também ela, no lugar de paciente, deveria partilhar do mesmo espírito.

Ter confiança e acima de tudo uma postura optimista perante todo este cenário.

Os médicos contam com ela, disse-lhe e continuou a chorar compulsivamente enquanto pedia imensas desculpas pelo comportamento que estava a ter.

O medo é natural e ficaria preocupado se assim não fosse e naquele momento, depois daquelas palavras, aquele homem, talvez na pele de filho e não de  médico voltou a sorrir, com os olhos embargados e a voz trémula.

Ele deixou que ela se recompusesse, que enxugasse as lágrimas e só depois de esboçar um sorriso é que se despediu de nós.

Eu sei que naquele momento, ela saiu daquela sala, mais leve e confiante.

publicado por susana às 21:57
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