Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011

Aprendiz de mãe

Muito intransigente e exigente. Pouco flexível. Se calhar tenho mesmo que desacelerar e deixar acontecer. Deixa-lo dizer parvoíces, deixa-lo esquecer-se de coisas que eu quero que as faça à primeira e brincar muito mais com ele e deixa-lo brincar, muito. Deixa-lo fazer braço de ferro com a irmã, deixa-lo levar a melhor e pavonear-se.

Deixa-lo ser menino, que apesar de já não ser pequeno está longe de ser um homenzinho. Que os meninos têm que brincar e dizer disparates.

Que há muitas formas de ensinar, de lhes iluminar o caminho. Deixar que demore um pouco mais no banho, que se esqueça ás vezes, de lavar os dentes, de dobrar o pijama ou se esqueça de fazer a cama.

E as meias espalhadas pelo chão, a roupa suja no quarto, os recados que se esquece de entregar e as canetas que perde quase todas as semanas.

Deixar que se alongue às refeições e que coma bem devagar e tenha o direito de nem sempre apetecer o que lhe coloco no prato. Deixar que a letra nem sempre saia bem à primeira, deixar que o pão com manteiga nem sempre apeteça e que o traga de volta no fim do dia.

E chama-lo à razão pode ser sem gritos, mas ás vezes não sou capaz e se os filhos têm que ser moldados, os pais também.

Que têm direito ao seu momento e devem ser tratados com respeito. E ás vezes não vemos a razão do lado deles, porque se calhar só vemos um lado, o nosso.

E admitir que têm razão não tem que ser difícil, que eles também nos ensinam muito e é com eles que quero treinar a tolerância.

E grito e barafusto e a conversa descamba e teatralizo um episódio que bem podia passar quase que despercebido. Depois digo que não sei ser de forma diferente, mas se calhar até posso e devo e até sei. E depois os castigos que aplico não surtem efeito e as represálias deixam-nos de costas voltadas e tristes. E se calhar é aqui que estou errada, porque o amor pelos dois é muito e nem tão pouco pode ser mensurado.

O amor que uma mãe nutre pelos filhos não se divide, multiplica-se e dá-se de forma incondicional e mesmo nesta forma de dar, pode haver formas diferentes de amar. E não se ama mais ou menos, ama-se de forma diferente, como as idades, como a forma de pensar e de falar e de agir. Ama-se de forma individual, mas ama-se de forma singular, exclusiva, ama-se de forma excepcional, como uma mãe ama um filho.

E quem disse que ser mãe era fácil? E porque é que não tem que ser fácil? Pode ser. E porque é que se complica?

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publicado por susana às 13:43
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3 comentários:
De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2011 às 10:55
Olá Susana,
Concordo plenamente com tudo o que escreveste, agora mais que nunca, penso que podem ser os ultimos minutos das nossas vidas que passamos com eles...
Mónica
De susana a 8 de Fevereiro de 2011 às 22:08
É verdade e tu bem sabes do que falas. Ainda estás muito abalada e combalida mas a verdade é que a nossa vida pode mesmo mudar, de um momento para o outro. Tanto no bom como no mau sentido. Melhora depressa, tá?
De silvia a 8 de Fevereiro de 2011 às 12:56
Concordo com quase tudo
dizem que quem não é mae não sente estas coisas.
eu por mim falo., infelizmente não sou mae mas sinto cada afirmação tua e concordo com grande parte.
graças a deus tenho muitos sobrinhos e já agora filhos de amigos e conhecidos, e com eles posso exprimentar cada sensação narrada aqui por ti.
viva o crescimento e a evolução!! sim porque é com o crescer e evoluir deles que sinto que os anos vão passando e que eu, felizmente parei nos meus 27 anos e é tão bom!!
eh eh eh

já agora, escreves bem.!!

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