Sábado, 7 de Janeiro de 2012

Rômulo rema

Rômulo rema no rio.

A romã dorme no ramo,
a romã rubra. (E o céu.)

O remo abre o rio.
O rio murmura.

A romã rubra dorme
cheia de rubis. (E o céu.)

Rômulo rema no rio.

Abre-se a romã.
Abre-se a manhã.

Rolam rubis rubros do céu.

No rio,
Rômulo rema.

Cecília Meireles

 

 

A única, mas mais importante, a primeira, a nossa romanzeira ofereceu-nos a sua primeira romã.  

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publicado por susana às 21:00
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

A morte chega cedo

A morte chega cedo,

Pois breve é toda vida

O instante é o arremedo

De uma coisa perdida.

O amor foi começado,

O ideal não acabou,

E quem tenha

Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte

Risca por não estar certo

No caderno da sorte

Que Deus deixou aberto.

 

Fernando Pessoa

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publicado por susana às 10:02
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Sábado, 10 de Setembro de 2011

Uma borboleta no meu jardim

Um dia chuvoso. Sem sol. Um dia de Verão esquecido de si. Começou a chover momentos antes. Mesmo assim de máquina fotográfica na mão, fui visitar o jardim. No limite, esperava fotografar os morangos, os diospiros que jazem caídos no chão, ou aquelas folhas amarelas, sem vida que salpicam a relva fazendo antever o Outono que se aproxima.

À minha espera aquela borboleta cinzenta que permeneceu imóvel enquanto a fotografei. Por fim foi a chuva mais grossa que me levou para dentro de casa. A borboleta continuou a dançar com aquela flor! 

 

 

"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."

 

Rúbem Alves

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publicado por susana às 13:25
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

A menina das tranças pretas

Na violeteira hoje já ninguém tem esperança

Deixou saudades foi-se embora e à tardinha

Estava o Chiado carregado de mil tranças

Mas tranças pretas ninguém tem como ela tinha

Estava o Chiado carregado de mil tranças

 

Mas tranças pretas ninguém tem como ela tinha.

 

 

publicado por susana às 21:52
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Só por isso, mãe

fotografia.JPG
Mesmo que a noite esteja escura,

Ou por isso,

Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,

Ou por isso,

Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,

Ou por isso,

Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,

Vale a pena!

"Lopes Morgado", Mulher e mãe

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publicado por susana às 21:06
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Poema da buganvilia

fotografia.JPG

Algum dia o poema será a buganvília
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.

Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.

Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.



António Gedeão

 

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publicado por susana às 21:23
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

Não baixes os braços

"Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer."

 

Santo Agostinho

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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

Meu rico S. João

 Um bolinho dos santos,

 Na noite de S. João

 Na mesa sardinhas e broa

 Um alho porro na mão

 

 Na praia lanço o balão

 De areia calço os meus pés

 Na noite de S. João

 É assim que tu me vês!

 

 De olhos postos no céu

 Vejo o balão a subir

 Leva um desejo meu

 A quem já vi partir!

 

publicado por susana às 18:45
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

Do que a vida nos ensina

 

Aprendi que amadurecer dói, mas o fruto pode ser bom.

 

"Maria Clara Machado"

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publicado por susana às 19:38
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011

Rancho das flores

 

 

Entre as prendas com que a natureza
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre do aroma florido
Mais lindo que todas as graças do céu
E até mesmo do mar
Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É flor dos amantes
É rosa-mulher
Que em perfume e em nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da hortência
E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil malmequer
E reparem no cravo o escravo da rosa
Que é flor mais cheirosa
De enfeite sutil
E no lírio que causa o delírio da rosa
O martírio da alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil
Abram alas pra dália garbosa
Da cor mais vistosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheias de cores gentis
E também para a hortência inocente
A flor mais contente
No azul do seu corpo macio e feliz
Satisfeita da vida
Vem a margarida
Que é a flor preferida dos que tem paixão
E agora é a vez da papoula vermelha
A que dá tanto mel pras abelhas
E alegra este mundo tão triste
No amor que é o meu coração
E agora que temos o bom crisântemo
Seu nome cantemos em verso e em prosa
Porém que não tem a beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma flor
Uma rosa é uma rosa, é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor
 
"Vinícius de Moraes"
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publicado por susana às 22:23
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